1 de jun de 2010

O início da gravidez é marcado pelo aparecimento de pequenos problemas que não têm causa única( são o resultado de vários fatores que agem em conjunto), que geralmente não são de grande dificuldade para tratar, não têm repercussões negativas para o bom evolver da gestação, duram poucas semanas e muitos destes distúrbios desaparecem- às vezes não completamente- findo o terceiro mês. São ditos pequenos por não terem reflexos ominosos na maioria dos casos. Mas, são problemas pois, além da sensação de mal-estar que provocam, trazem a idéia de que “ alguma cousa está errada”, embora frequentemente não haja doenças e eles sejam manifestações adaptativas normais de variável intensidade. Tendo em vista que há um mal-estar associado e que há a possibilidade de complicações é necessário maior atenção, com tratamento e acompanhamento.

As náuseas( vontade de vomitar) surgem mais pela manhã, por vezes há vômitos, são relatadas por cerca de metade de todas as grávidas. Ocorre o desaparecimento espontâneo após as doze semanas iniciais da gravidez em 95% das mulheres. Como causas prováveis podemos implicar o meio hormonal que está alterado, o refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, fatores psicogênicos, um relaxamento dos músculos do estômago e alimentos de difícil digestão( como os oleosos). Quase todos os casos responderão bem ao controle da dieta: uma alimentação frequente e em pequenas quantidades, nos lanches entre as principais refeições dar preferência a alimentos secos( pão, bolacha), evitar as frituras e as comidas gordurosas e ingerir mais água. Com estas simples medidas, cinco aspectos apontados como facilitadores para o aparecimento das náuseas são combatidos: estômago vazio, estômago muito cheio, hipoglicemia( nível baixo de glicose no sangue), alimentos gordurosos e desidratação.                                              Uma exacerbação- com vômitos frequentes- pode acometer uma pequena parcela das mulheres pejadas( cinco por cento): é a hiperêmese gravídica, que requer mais atenção e até hospitalização nos casos mais difíceis.

O ptialismo( ou sialorréia) é a formação de saliva em abundância e responde àquelas mudanças na dieta. Devido ao envolvimento de alterações no sistema nervoso, nos raros casos mais graves onde é grande a quantidade de saliva produzida, serão necessários tranquilizantes para o controle.

A azia( pirose) é mais comum nas últimas semanas de gravidez e tem como causa mais proeminente a elevação da pressão sobre o estômago pelo útero aumentado o que conduz ao refluxo do conteúdo gástrico, que é ácido, para o esôfago. Outras causas são o relaxamento do estômago e as de ordem psicogênica( ansiedade, nervosismo, preocupação); estas outras causas têm maior importância no início da gravidez quando o útero ainda não é grande. Como tratamentos: refeições rápidas e frequentes de alimentos pobres em condimentos e elevar a cabeceira da cama ao dormir ou repousar.

A prisão-de-ventre( constipação) tem como causas a pressão exercida sobre os intestinos pelo útero aumentado e a ação dos hormônios esteróides que diminuem a motilidade destes órgãos. O tratamento requer atenção para com a dieta, que deve conter fontes de fibras( frutas e verduras) e bastante água. Exercícios leves( como a caminhada)- ou até mesmo um anaeróbico( como o halterofilismo) que deve ser de curta duração, pouco frequente e com material leve- são importantes formas de manter o corpo saudável e, assim, obter um funcionamento mais normal dos intestinos. 

As hemorróidas, que contribuem para a constipação ou são causas de dores, podem ser tratadas com banhos-de-assento com água morna.

O edema( inchaço) é próprio da gravidez, pois o aumento do útero dificulta o retorno do sangue e a água extravasa dos vasos para os tecidos das pernas e pés. A força da gravidade também atua na sua formação. Responde bem ao repouso em decúbito lateral: as ações destes dois mecanismos são anuladas. Quando é generalizado( atingindo as mãos e a face) requer mais cuidados, por que oito por cento destes edemas generalizados evoluem para pré-eclâmpsia.

As varizes surgem devido ao aumento da pressão venosa nas pernas e este aumento pode estar associado a uma fraqueza congênita das paredes das veias e/ou ao mau tono muscular devido à inatividade. A mulher deve evitar longos períodos em pé. Precisa elevar as pernas quando sentar ou deitar e usar meias elásticas( preferir as de algodão), que devem ser colocadas após alguns minutos com as pernas elevadas e devem ser retiradas por meia hora, quando do repouso, várias vezes ao dia. Um programa simples de exercícios leves ajuda o retorno do sangue por aumentar o tônus do músculos.

Cãimbras são causadas por níveis baixos de cálcio e elevados de fósforo ou pela fadiga. Repor o cálcio( leite e derivados) e repousar mais vezes provavelmente resolverá.

Sintomas urinários, como a frequencia e a urgência, aparecem à medida que a gestação evolui e o útero aumenta. Eles podem ser resolvidos com medidas simples como o banho-de assento morno.

Tonturas e vertigens não são incomuns durante a gravidez e têm como causa uma insuficiente irrigação do cérebro. Esta insuficiência é devida à retenção do sangue nas partes inferiores do corpo. A natural tendência da grávida à hipoglicemia pode ser causa também, visto que a glicose é a principal fonte de energia para o cérebro. Em geral, são transitórias e respondem bem ao repouso em decúbito lateral e á alimentação frequente.

As estrias aparecem na pele de todas as grávidas, mas são notáveis apenas em algumas. Elas têm as suas causas pouco definidas ainda, embora um aspecto esteja bem delineado: ocorre uma rotura das fibras da pele devido à distensão que ela sofre à medida que a gestação evolui. O grau, se o processo é mais intenso e as estrias são mais notadas, varia muito entre as mulheres e parece ser uma imposição congênita. O certo é que cremes hidratantes melhoram o aspecto estético, assim como uma alimentação rica em vitaminas diminue a intensidade das estrias. Muito importante é evitar a exposição ao sol( mormente das áreas afetadas), pois a luz solar torna mais quebradiças as fibras da pele.

Em geral, os medicamentos têm suas capacidades de ação aumentadas nestes nove meses, então mais facilmente aparecerão efeitos colaterais. Isto é mais verdadeiro durante os três primeiros meses de gravidez, quando os órgãos do bebê estão se formando. Daí, é melhor evitá-los o mais possível, pois mesmo aqueles que sabidamente são inócuos para a gravidez, podem manifestar algum malefício em uma ou outra mulher. Muita atenção deve ser dada, também, à lactação, visto que muitos remédios passam para a criança pelo leite materno.