4 de fev de 2011

Placenta Prévia

Há placenta prévia( PP) quando a implantação do ovo se dá na área do orifício interno do canal cervical ou nas proximidades deste orifício( na região do istmo do útero). É a menos grave das implantações ectópicas da placenta, pois permite a continuidade da gravidez e é dita heterotópica: mesmo que dentro do útero, a placentação se dá muito abaixo do sítio normal que é o fundo do útero.

Ocorre em 1 a cada 200 gestações; esta incidência é variável e será consideravelmente acrescida se tomarmos em conta para efeito de cálculo os casos de placentação baixa sem acolher a continuidade da gestação, visto que muitos abortamentos espontâneos estão associados com este tipo de implantaçao.

Uma causa específica para o problema não pode ser delineada, pois como já dito, a PP é a expressão clínica menos grave da implantação ectópica da placenta. Então, supõe-se que as teorias para causa de gravidez ectópica se aplicam à PP: exemplos são as alterações hormonais que prolongam ou reduzem o tempo de transmigração do óvulo e provocam um sangramento uterino( por deprivação hormonal) o qual desloca o ovo do seu sítio normal. Embora não haja uma definição precisa das causas, há associações com: aborto espontâneo, defeitos no desenvolvimento fetal, gestações gemelares, placenta acreta( quando a placenta penetra muito na parede do útero), prévios procedimentos cruentos sobre o útero( como aborto induzido, curetagem, cesárea ou outra cirurgia), maior prevalência de fetos masculinos, discrepância entre o tamanho do feto e a idade da gestação, frequência maior em gestantes com mais de 30 anos.

A apresentação clínica depende muito dos episódios de hemorragia, que em geral são de sangue vermelho rutilante, pois são principalmente de sangue arterial materno. Geralmente, o primeiro episódio de sangramento é espontâneo, indolor, autolimitado, ocorre nos meses iniciais da gravidez e é de pouca monta. Depois, à medida que cresce o útero, os episódios podem ficar mais intensos e mais frequentes. Pode haver choque da mãe. Às vezes, este primeiro episódio só ocorre quando se inicia o trabalho de parto ou quando do exame ginecológico.

O tratamento é inicialmente conservador se a hemorragia não é abundante e o feto está bem. O objetivo é alcançar a maturidade pulmonar do feto, o que ocorre em 35-37 semanas de gestação. Então, preconiza-se o internamento da grávida que tem episódios importantes de sangramento para, no ambiente controlado do hospital, impor o repouso absoluto. O descanso total, inclusive das atividades sexuais, é mandatório para a continuidade da gravidez. Logo que a idade gestacional e a maturidade pulmonar permitem, é terminada a gravidez por cesareana.

O prognóstico é bom para a mulher e a criança que recebem a atenção necessária em tempo hábil. Do contrário, o decesso fetal( por hipoxia)  e o da mãe( por hemorragia) são comuns. Pode haver recorrência em gravidez futura.